domingo, 31 de maio de 2009

DIÁRIO JULIETA

I
Sobre a estética (Grotowski)
Sobre o Teatro pobre:
“A norma geral é a seguinte: é proibido introduzir na representação o que quer que seja que não esteja nela desde o início. Um certo número de pessoas e objetos reunidos no teatro. Eles devem bastar para realizar qualquer situação da representação. Eles criam a plástica, o som, o tempo e o espaço.”

Termo forjado por Grotowski para qualificar seu estilo de encenação baseado numa extrema economia de recursos cênicos e preenchendo esse vazio por uma grande intensidade de atuação e um aprofundamento da relação ator/espectador. (Dicionário de teatro, Patrice Pavis).

II
Acho que esse poema tem tudo a ver com o espetáculo...

“ Os que se amaram como nós? Busquemos
as antigas cinzas do coração queimado
e ali que tombem um por um nossos beijos
até que ressuscite a flor desabitada.

Amemos o amor que consumiu seu fruto
e desceu à terra com rosto e poderio:
tu e eu somos a luz que continua,
sua inquebrantável espiga delicada.

Ao amor sepultado por tanto tempo frio,
por neve e primavera, por esquecimento e outono,
acerquemos a luz de uma nova maçã,

do frescor aberto por uma nova ferida,
como o amor antigo que caminha em silêncio
por uma eternidade de bocas enterradas.”

(Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda)


III
O que falar sobre esse personagem tão difícil, o que dizer sobre Julieta?
Julieta despertou em mim coisas que estavam adormecidas, amores do passado... tristeza, melancolia, ódio, saudade, lembranças, muitas... mais lembranças do que eu poderia imaginar.
“...do que é passado só me resta a lembrança do teu corpo em mim, e tua pele, e tuas mãos e tuas palavras...”
O amor de Julieta é intenso, insensato, indissolúvel... não há como respirar, como viver, como sobreviver sem amar. Sem amor.

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